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Um ano depois de os Estados Unidos imporem tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, o efeito foi o oposto do pretendido: a participação da China no comércio exterior do Brasil saltou de 28,9% para 31,5%, a maior desde 2021. No mesmo período, a fatia americana caiu ao menor nível da série histórica, iniciada em 1997.
O tarifaço foi desenhado para pressionar o Brasil. Na prática, redesenhou o mapa de quem o Brasil compra e para quem vende.
O que aconteceu no último ano?

A sequência começou em abril de 2025, com a tarifa de reciprocidade de 10% sobre importações brasileiras. Em 9 de julho do mesmo ano vieram as tarifas adicionais, e em agosto o tarifaço de 40% entrou em vigor — somando 50% com a reciprocidade, com cerca de 700 exceções que atenderam a interesses de setores específicos nos Estados Unidos, como aeronaves e suco de laranja.
Em novembro de 2025, houve recuo parcial: a tarifa de 40% foi retirada para 269 produtos, dos quais 88% de origem agropecuária.
O saldo de doze meses é o que interessa agora. As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 12,2% no acumulado do ano, enquanto as importações vindas da China cresceram 27,1% em junho, segundo o MDIC.
Como ficou a participação de cada parceiro?

A China passou de 28,9% para 31,5% do comércio exterior brasileiro, o maior percentual em cinco anos. Os Estados Unidos foram na direção contrária, chegando ao menor patamar desde o início da série, em 1997.
Não é apenas um deslocamento estatístico. Ele reflete decisões concretas de milhares de empresas que precisaram reorganizar cadeia de suprimento em prazo curto — e que, na maioria dos casos, encontraram na China a alternativa disponível.
Vale a ressalva de que o movimento não é só reação ao tarifaço. A China vem ampliando participação no comércio brasileiro há duas décadas, e as tarifas aceleraram uma tendência que já existia.
O que muda para o importador brasileiro?
Quatro consequências práticas, e elas puxam em direções diferentes.
A cadeia com a China está mais madura. Mais volume significa mais agentes de carga com rota consolidada, mais despachantes acostumados com a origem e mais fornecedores chineses habituados a atender o Brasil. Operar ficou mais fácil do que era há alguns anos.
E também mais concorrida. O mesmo movimento que facilitou a operação trouxe mais gente para o mesmo lugar. Comprar da China deixou de ser diferencial competitivo — virou linha de base. O diferencial passou a estar no que você faz depois: marca própria, canal de venda, atendimento.
Pressão sobre frete e prazo. Volume crescente numa mesma rota costuma se traduzir em espaço mais disputado, principalmente na alta temporada entre agosto e novembro.
E uma janela que segue aberta. Apesar de todo esse movimento, menos de 0,1% das empresas brasileiras importam. O crescimento do fluxo está concentrado em quem já operava. Para a esmagadora maioria das empresas, a importação continua sendo um caminho não explorado.
Vale a pena entrar agora?
Depende do que você entende por entrar. Comprar da China achando que o preço de origem resolve é uma ideia pior hoje do que era há três anos, porque a concorrência aumentou e a margem por arbitragem simples encolheu.
Mas construir operação — com custo calculado, fornecedor validado e preço formado corretamente — continua sendo uma das melhores oportunidades disponíveis. A diferença é que agora exige método, e não apenas iniciativa.
É a distinção entre importar e ter uma operação de importação. A primeira qualquer um faz; a segunda é o que sobrevive quando o mercado fica cheio.
Com o mercado mais cheio, método vale mais que iniciativa.
O livro Import Model Canvas organiza a operação inteira em uma página, da pesquisa de produto à propagação da marca.
Ou conheça o Importação Fast.
Dados de participação no comércio exterior referentes ao período de julho de 2025 a julho de 2026, com base em levantamentos do MDIC. Análise publicada em agosto de 2026; o cenário tarifário entre Brasil e Estados Unidos segue em evolução.




