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O Brasil tem cerca de 40 milhões de empresas e pouco mais de 40 mil importam. Isso significa que menos de 0,1% das empresas brasileiras importam — todo o resto compra de quem importou. É o número que mais me impressiona depois de 32 anos trazendo produto da China, e é a razão pela qual eu enxergo a importação como uma das melhores oportunidades de negócio disponíveis hoje no país.
Não porque seja fácil. Porque quase ninguém faz.
Quantas empresas brasileiras realmente importam?

Os dois números vêm de fontes distintas. O universo de cerca de 40 milhões de empresas é levantamento da consultoria BigDataCorp. O total de pouco mais de 40 mil importadores vem da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior, a Funcex.
Cruzando os dois, a conta é implacável: menos de uma empresa em mil compra do exterior. A esmagadora maioria compra e revende dentro do Brasil, disputando os mesmos fornecedores, os mesmos produtos e as mesmas margens que todo mundo.
Quando um mercado tem 99,9% dos participantes fazendo a mesma coisa, a vantagem não está em fazer melhor. Está em fazer diferente.
Por que tão poucas empresas importam?
Pela percepção de complexidade, principalmente. Importar parece exigir estrutura de multinacional: departamento de comércio exterior, advogado especializado, contato na China, capital parado por meses.
Parte disso já foi verdade. Hoje não é mais. A importação simplificada permite trazer mercadoria sem habilitação no Radar e sem despachante, com a transportadora cuidando de todo o despacho. Dá para fazer a primeira operação com poucos milhares de reais e sem montar estrutura nenhuma.
O segundo motivo é o medo do desconhecido, e ele é mais legítimo. Existe risco real de errar a escolha do produto, de cair num fornecedor ruim, de calcular o custo errado. São riscos administráveis — mas só para quem sabe que eles existem, e é por isso que a maior parte dos erros de iniciante se repete de forma tão previsível.
O terceiro motivo é simplesmente que ninguém contou. Importação não é assunto de faculdade de administração nem de curso de empreendedorismo. A informação existe, mas está espalhada e escrita em linguagem de despachante.
O que o importador ganha que o revendedor não tem?

A vantagem óbvia é o preço de origem. Quem compra da fábrica paga o primeiro preço da cadeia; quem compra de distribuidor no Brasil paga um preço que já passou por três ou quatro mãos, cada uma delas com a sua margem embutida.
Mas a vantagem que eu considero maior é outra: margem para escolher. Com custo mais baixo, você decide o que fazer com a diferença. Pode competir por preço, pode investir em marca própria, pode abastecer vários canais ao mesmo tempo com políticas diferentes. Quem compra caro não tem essa liberdade — só resta apertar a própria margem.
Há ainda o controle de produto. Comprando direto da fábrica você define embalagem, especificação, personalização. Comprando de distribuidor, você vende exatamente o mesmo item que todos os outros clientes dele vendem.
Por que a China e por que agora?

A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2003, e o fluxo só cresce. Em 2025 a corrente de comércio entre os dois países atingiu o recorde de US$ 171 bilhões, mais que o dobro do volume negociado com os Estados Unidos, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China. As importações brasileiras de produtos chineses bateram recorde próprio: US$ 70,9 bilhões, alta de 11,5% sobre o ano anterior.
Há um segundo argumento, menos estatístico e mais prático. A China se consolidou como grande produtora em praticamente todos os segmentos. Brinca-se que tudo é feito na China, e a frase é cada vez mais literal — até uma camiseta fabricada por indústria nacional foi costurada em máquina chinesa. Se quase todo produto passa pelo país asiático em algum ponto da cadeia, faz sentido perguntar por que você compraria de um intermediário em vez de ir à fonte.
O que esses números não dizem é quem está aproveitando. Os US$ 70,9 bilhões entram no Brasil todo ano concentrados em pouquíssimas empresas — e chegam até você com a margem delas já embutida.
Qual é o tamanho real dessa oportunidade?
Vale separar o que é oportunidade do que é promessa. Importar não é dinheiro fácil, e quem promete isso está vendendo outra coisa.
O que existe é um mercado com barreira de entrada percebida como muito alta e barreira real bem mais baixa. Essa diferença entre percepção e realidade é onde mora a margem — e ela se fecha conforme mais gente descobre. Hoje ela está bem aberta.
E existe uma assimetria de informação que trabalha a favor de quem estuda. Enquanto 99,9% das empresas nem consideram a importação, quem entende como montar a conta de custo e como validar um fornecedor está competindo num campo com poucos jogadores preparados.
Por onde começar a importar da China?
A sequência que eu recomendo tem quatro passos, e nenhum deles exige capital alto.
Comece pesquisando preço no Brasil, não produto na China. Descubra por quanto o item vende aqui antes de procurar quem fabrica. É o inverso do que quase todo mundo faz, e evita meses de capital parado em estoque que não gira.
Depois faça as contas antes de comprar. O preço de fábrica não é o custo do produto: ele se multiplica por algo entre 1,5 e 3 vezes até chegar ao seu estoque, dependendo do regime de entrada e do seu enquadramento tributário.
Em seguida teste pequeno. Traga uma quantidade mínima pela importação simplificada, valide qualidade e resposta de mercado, e só então pense em escala.
Por fim, estruture a venda antes da carga chegar. Produto parado em estoque não é ativo, é capital imobilizado. A importação só se paga quando o produto vira dinheiro de novo.
Como o Import Model Canvas organiza esse caminho?
O Import Model Canvas nasceu para resolver exatamente o problema que trava as outras 39,96 milhões de empresas: a sensação de que importar é complicado demais para começar.
Ele organiza a operação inteira em uma página, dividida em cinco fases — fundamentos, preparação, efetivação, vendas e branding. Em vez de estudar comércio exterior por meses antes de agir, você preenche quadro a quadro e enxerga o caminho completo antes de gastar o primeiro dólar.
É uma ferramenta de planejamento, não um atalho. A diferença entre as duas coisas é que a primeira funciona.
Entrar no 0,1% começa por entender o caminho inteiro.
O livro Import Model Canvas acompanha uma operação real do começo ao fim, da pesquisa de produto à construção da marca, com cada quadro preenchido.
Ou conheça o Importação Fast, meu curso de importação do zero.
Perguntas frequentes
Pouco mais de 40 mil, segundo a Funcex, num universo de cerca de 40 milhões de empresas levantado pela BigDataCorp. Isso representa menos de 0,1% do total.
Principalmente pela percepção de que o processo é complexo demais. Na prática, a importação simplificada dispensa habilitação no Radar e despachante, permitindo começar com poucos milhares de reais e sem estrutura dedicada.
O preço de origem, sem as margens dos intermediários da cadeia, e a liberdade de decidir o que fazer com essa diferença: competir por preço, investir em marca própria ou abastecer vários canais com políticas distintas.
Em 2025 as importações brasileiras de produtos chineses somaram US$ 70,9 bilhões, alta de 11,5% sobre o ano anterior, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China. A corrente de comércio total entre os dois países chegou a US$ 171 bilhões.
Não. Pela importação simplificada é possível fazer uma primeira operação de teste com valor baixo, validando produto e fornecedor antes de comprometer capital maior em escala.
Pesquisando o preço de venda no Brasil antes de procurar o produto na China, calculando o custo real de chegada, testando com uma quantidade pequena e estruturando os canais de venda antes de a carga chegar.




